segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Autocataclismo 005/091027 > A Existência

Ser-se humano não é mais uma condição da existência, para se existir humanamente vive-se nessa perseguição do humano até à dexistência. A existência é apenas um conceito que habita no Ser, e por isso mesmo a existência pode existir, mas nunca padeceu nem nunca há-de sofrer.
O Ser é. > O Ser não existe. > A existência não é.

Autocataclismo 004/091027 > A Solidão

Quando mais ausente de mim estou é que percebo o quanto “sozinho” sou. A solidão é o indicador do quão fartos de nós estamos, ou de que, por uma circunstância qualquer, o quão longe de nós ficámos. Como seria de adivinhar, sendo este conceito um fruto da “imaginação”, ele só se poderia manifestar como uma escala de valoração da relação do eu comigo. Para desilusão de muitos que procuram a cura mila-malogrosa fora do imbigo, ela não tem nada que ver com as imagens passantes de passantes pessoas quando abrimos a pestana, e esse é o mito da interacção na sua forma mais ludibriosa e arcana, que é a de intra-acção para “fora” de nós mesmos, perfazendo assim o mirabolante sonho da existência humana.

Autocataclismo 003/091027 > O Medo

O medo é uma emoção da gente-animal, da que pensa muito e que cheira muito mal. O medo não tem a ver com reacção, ele é, em si mesmo, pré-acção, e um processo mecânico de tremuras e suores num descontrolo acelerado de prevenção de males maiores. Quem tem medo é bicho, e desses nem todos o têm, porque esses na sua simplicidade de lixo sabem que quanto menos sofrem, tão mais próximo dos Deuses rezam. Só os seres inteligentes é que dele precisam, de tal forma que a inteligência prova ser uma medida da capacidade de falência. Aos Deuses, como aos vermes, não lhes reconhecemos o temor, aos Deuses como aos Vermes não lhes chamamos, portanto, de "Senhor". Tanto uns como outros são as suas próprias circunstâncias e o destino de si, e nessa mesma qualidade e neste mesmo instante, Verme me afirmo, e nos ombros despidos de um Gigante sigo.

Autocataclismo 002/091027 > A Filiação

A questão da filiação escava bem fundo, na génese e desinência da projecção do Ser e da consciência. O mero reconhecimento da filiação leva à prisão, seja por procedência ou seja por derivação. Dirão que é a raiz, aceite ou contestada, e que toda a fuga apenas leva à aproximação bastarda. Direi, nada sou nem ninguém por imagem ou semelhança a alguém. Eu sou o produto inacabado de mim mesmo, desde nunca material, desde sempre uma corrente de ar desfeita pelo pinheiral. Ser eu sem fronteiras é ser na totalidade, é perder a âncora e a segurança de quem tem medo da una realidade. SER significa passar além do medo, arrombar portas e saltar janelas, perder-me no piche da noite e descobrir-me às apalpadelas, até que, com os dedos encarquilhados de si, possa dizer por entre dentes, “fô-dáss, eu aqui já me senti!”.

Autocataclismo 001/091025 > O Debutar

Uma série de exercícios em constante actualização para ir ao defundo de mim e amostrá-lo de forma duradoura, ao ritmo da digitação alucinante de unhas pestanejantes demolhadas em bagaço amarelo.
-> siga a masturbação...