segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Autocataclismo 002/091027 > A Filiação

A questão da filiação escava bem fundo, na génese e desinência da projecção do Ser e da consciência. O mero reconhecimento da filiação leva à prisão, seja por procedência ou seja por derivação. Dirão que é a raiz, aceite ou contestada, e que toda a fuga apenas leva à aproximação bastarda. Direi, nada sou nem ninguém por imagem ou semelhança a alguém. Eu sou o produto inacabado de mim mesmo, desde nunca material, desde sempre uma corrente de ar desfeita pelo pinheiral. Ser eu sem fronteiras é ser na totalidade, é perder a âncora e a segurança de quem tem medo da una realidade. SER significa passar além do medo, arrombar portas e saltar janelas, perder-me no piche da noite e descobrir-me às apalpadelas, até que, com os dedos encarquilhados de si, possa dizer por entre dentes, “fô-dáss, eu aqui já me senti!”.

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